Faltam benefícios e oportunidades para a(o)s enxadristas

O xadrez está ficando cada vez mais popular entre as mulheres, mas ainda há um longo caminho a percorrer

Susan Polgar discorreu sobre o assunto para o Lubbock Avalanche Journal em 2010 e este ainda continua atual. As meninas precisam de uma formação em xadrez adequada para que apareçam no topo do ranking mundial, e cada vez mais é entendido que as meninas assimilam os conceitos de maneira diferente do sexo masculino. Algumas mulheres quase desistem do xadrez porque não têm igualdade de oportunidades para se destacar ou aproveitar o jogo como os homens e, uma vez que há menos jogadoras do sexo feminino, as mulheres são menos visíveis no mundo do xadrez.

13068241A falta de patrocínio é outro problema que afeta as atletas em toda parte. No Brasil, a enxadrista Thauane de Medeiros (campeã brasileira sub-18 e sub-20 em 2012), 19 anos, passa parte do seu tempo vendendo exemplares autografados de um livro de xadrez em frente ao Masp, em São Paulo, como uma maneira de conseguir fundos para disputar torneios uma vez que há uma escassez de patrocínios para o nosso esporte. A lei de incentivo ao esporte foi sancionada no Brasil em 2006 e apesar de estimular pessoas e empresas a patrocinar e fazer doações para projetos esportivos e paradesportivos em troca de incentivos fiscais, tem servido mais para estimular os esportes já praticados e ovacionados como o futebol, que captou mais de R$ 400 milhões com patrocínio em 2012, um volume três vezes maior do que há cinco anos. E para o xadrez? Nada. Um esporte praticado em locais fechados, sem visibilidades e com poucos praticantes não tem atenção suficiente para que alguma “marca” se interesse nas 64 casas.

ashleytapp11

No Canadá, “país de primeiro mundo”, a situação não é muito diferente. Ashley Tapp, 13 anos, tornou-se conhecida em todo o Canadá e do mundo depois de se qualificar para participar do Campeonato Mundial de Xadrez da Juventude, Eslovênia 2012 (a brasileira Thauane também se classificou para o torneio). Conhecida como Chess Girl, ela começou a angariação de fundos para chegar lá, apesar de atitudes que podem parecer controversas como a disputa de partidas ao custo de 5 dólares para conseguir recursos. Ashley sempre pediu para a mídia retratar uma imagem positiva do xadrez, mostrando como o jogo suporta realizações acadêmicas, como é uma grande atividade social onde as meninas podem jogar bem e se divertir, e com muitas lições valiosas para a vida. Ashley mantém uma página onde busca recursos para si e para outras enxadristas.

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4 pensamentos sobre “Faltam benefícios e oportunidades para a(o)s enxadristas

  1. Muito bom o texto!! As meninas que jogam xadrez no Brasil precisam de patrocínio, pois para competir ,adequadamente, é necessário ter a disposição um treinador, comprar jogo de peça, tabuleiro e relógio de xadrez, pagar internet para praticar nos clubes virtuais… E como já se tornou um hábito colocar competições em lugares distantes, elas precisam de bancar passagens , alimentação, hospedagem, inscrições, etc Xadrez de competição tem preço. E como formar atletas sem verba?

    Ivan Petrovitch

  2. Importante lembrar também que há dirigentes no Brasil que estão mais preocupados em ter benefícios próprios com eventos do que incentivar o esporte. O Panamericano da Juventude é um exemplo lastimável do desinteresse da CBX em incentivar as categorias de base. O preço cobrado para participar do evento afastou muitos jovens enxadristas (inclusive meninas), pois o custo tornou-se proibitivo.

    Além de patrocínio, seria muito bom se os dirigentes mudassem sua atitude e revelassem uma sincera preocupação pelo desenvolvimento do xadrez no Brasil.

    Vide também que no Panamericano sub 20 não houve a participação de UM atleta brasileiro sequer, tanto no absoluto como no feminino.

    A CBX deveria dar o primeiro passo e dar o exemplo com eventos abertos e mais democráticos. Isto poderia começar com as categorias de base. A organização do Panamericano da Juventude em Poços de Caldas cometeu um grave erro e perdeu uma grande chance para incentivar o xadrez no Brasil.

    Renato Ferreira

  3. Parabéns pelo Blog!!! Aproveito para divulgar as peças de xadrez de chocolate que produzo. Entretanto, gostaria de declarar, que no caso de promoverem a divulgação do meu produto, sugiro o repasse de uma porcentagem para as enxadristas que estão buscando recursos financeiros. meu nome é Luiz Fernando. Meu fone (11) 999305690. Meu e-mail (augustol2005@ig.com.br).

  4. Mais uma vez o Petrovitch reclamando dos “lugares distantes!!!! Meu caro não temos culpa de morarmos em um país de dimensões continentais, bem como não posso criticar meus irmãos do norte ou nordeste por realizarem um evento em seus respectivos Estados, só porque moro no sul do nosso imenso Brasil. Ou vamos voltar ao tempo em que os grandes eventos enxadrísticos eram restritos ao eixo Rio-São Paulo.
    SE LIGA MANO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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