Zugzwang: Olimpíadas

Qual a sua opinião sobre os critérios de seleção das atletas olímpicas?
Imagem

Para a última edição da Olimpíada Mundial de Xadrez, foi testado um novo critério para a seleção das enxadristas componentes da equipe olímpica brasileira. O Circuito Pré-Olímpico Feminino de Xadrez 2011-2012 constituiu-se de nove etapas classificatórias, contando com os dois campeonatos brasileiros, realizadas no sul e sudeste do Brasil. A participação dos circuitos pontuava as jogadoras pelo sistema “grand prix”, concedendo pontos de acordo com a classificação obtida em cada etapa. A realização de um número maior de torneios femininos além dos brasileiros foi bem-vindo à comunidade enxadrística, mas por outro lado a indefinição do número total de torneios (a proposta apenas cita o número mínimo de 6 etapas) e a dificuldade financeira para a participação de tantas etapas inviabilizou o sucesso da nova proposta. Em abril último, a CBX anunciou o início de um novo circuito para a “temporada” 2013-2014 conforme comunicado.

*Zugzwang é uma seção de debates do blog visando melhorias na prática do xadrez brasileiro 

Anúncios

3 pensamentos sobre “Zugzwang: Olimpíadas

  1. Em minha opinião o circuito pré-olímpico feminino colocado em prática no ano de 2011/2012 deu um passo importante em relação aos critérios anteriormente adotados. Entretanto, observou-se algumas falhas no decorrer deste percurso, estas inclusive discutidas entre as participantes em cada torneio. Entre as principais levantadas foram: número de etapas, local e o período de antecedência mínima para publicação.

    Pela experiência que tive, ressalto:
    – Devido a publicação, incluindo folder, de várias etapas não ter sido realizada com pelo menos 30 dias antecedência, dúvidas se haveria ter ou não, sempre pairavam. Consequentemente, também ficava difícil poder se planejar financeira e academicamente.
    – O valor para participar de várias etapas é alto. No meu caso, principalmente, que moro distante dos principais polos enxadrísticos, gasto no mínimo R$ 800,00 para jogar cada etapa.
    – Posso dizer que joguei mais de uma vez com diversas adversárias. Considero esse um dos fatores que faz com que a variação do rating feminino seja baixo. Além disso, esta sequência produzida desestimula.

    Pelos motivos supracitados, creio que para a nova seleção de representantes brasileiras das olímpiadas, o xadrez feminino poderia dar mais um passo, rumo a qualificação desse sistema. Por exemplo:
    – O número de etapas ser definido.
    – Não repetir o Estado mais de duas vezes.

    Essa minha opinião é devido não considerar justo mais de 50% das etapas se realizar apenas em um Estado. Assim como também não consideraria plausível realizar uma etapa em Cuiabá, visto o número ínfimo de jogadoras em Mato Grosso e a distância a ser percorrida e gastos a serem pagos pelas demais a competir. Além disso, consideraria um número entre 3 e 5 etapas, já considerando os Brasileiros, devido principalmente ao aspecto financeiro.

    Outra discussão poderia ser levantada em relação a novos sistemas a testar paralelamente, quem sabe a adotar.
    Creio que uma ideia interessante a discutir é fazer etapas por região e depois as campeãs disputarem um fechado, classificando às 10 primeiras para após jogar um todos contra todos. Ressalto que seria importante considerar o número de praticantes por região. Por exemplo, se a região x tem 15 participantes, classificam 3 para o fechado, e se a região y tem 30, classificam 6. Apesar disso, também deveriam se avaliar os contras, como patrocinadores interessados em financiar um fechado feminino. Talvez tenha necessidade de realizar eventos paralelos…
    Outra poderia ser fazer uma semi e depois a final, reportando ao sistema masculino, ou até mesmo, definir em abertos específicos, visando além da seleção para as Olímpiadas, mudança de jogos exclusivamente femininos, para abertos. Considero relevante neste último caso, a progressão que o xadrez feminino poderia ter com essa mudança de comportamento.

    Considero o assunto levantando no post acima muito importante para ser trabalhado no âmbito do xadrez feminino… Torço para que todas as interessadas possam reportar suas experiências, opiniões e ideias, pois sei que esse meu comentário precisa de acréscimos, correções e sugestões. Procurei dar este passo, pois acredito que se repetirmos o que já sabemos que precisa melhorar no sistema atualmente adotado, estaremos regressando e, infelizmente, aceitando por não demonstrar às ideias tão discutidas nos torneios aos organizadores.

  2. Bom, meninas… eu participei de algumas etapas. E do antigo sistema, que era apenas no Brasileiro (que classificava as 5 primeiras – o qual sou totalmente contra). Sinceramente, as etapas foram essenciais para o crescimento e participação das meninas em torneios, como consequência aumentando o nível técnico, que é de extrema importância! Lógico, que o ASPECTO FINANCEIRO pesa e muito, porque para jogar todas as etapas(mais que 5) precisa de um investimento muito alto.

    Sugestão: Realizar um circuito de 4 etapas aberta(onde pontua apenas as 3 melhores etapas), onde as mesmas são realizadas onde há maior número de jogadoras ativas e sendo uma etapa em cada estado(dessas de maiores números de jogadoras- ). E daí fazer um Brasileiro fechado, com as 10 melhores, um schuring! Classificando as melhores colocadas!

    hehe o primeiro passo foi dado, abrirmos essa discussão =)) Parabéns a Ellen Giese pela iniciativa!!

    Bjs

  3. Apesar de estar fora da administração do xadrez, por questões profissionais e familiares, fico feliz em ver que a análise das atletas sobre o circuito criado na minha gestão seja exatamente a mesma análise que eu fiz ao final do circuito. A intenção era limitar em 6, com os brasileiros, valendo os melhores 4 resultados. A intenção era justamente não fazer mais de 2 no mesmo Estado (como dito pela Ana também). Mas o aspecto principal é que eu pretendia dobrar as premiações das etapas, como forma de compensar um pouco os custos.

    A ideia de se fazer um classificatório com um torneio final, round-robin, foi descartada pelo mesmo motivo que me fez atender o pedido das próprias atletas de criar um circuito: as mulheres sofrem demais com o sistema de um torneio que decide tudo. De que adiantaria lutar em 4 etapas e ter que decidir a ida para a olimpíada em um só torneio? Aliás, fizemos o pré-olímpico para a olimpíada de 2010 e o torneio foi catastrófico no nível técnico das partidas. As jogadoras estavam nervosas, porque um erro custava a olimpíada. E todas erravam aos montes… Virou loteria, esta foi a conclusão dos técnicos e de boa parte das atletas, até mesmo das que se classificaram.

    Acho que o legado do primeiro circuito, que teve suas falhas bem apontadas pelas duas que até aqui comentaram, é o fomento ao xadrez feminino. Nesse aspecto, o circuito foi um passo e tanto para o xadrez feminino. Além de ter possibilitado a montagem de uma equipe mais justa em relação ao critério um torneio só. A CBX manteve o formato de circuito, mas se não estou enganado reduziu o número de etapas, o que atende em parte o pleito das atletas. É muito difícil se atingir o ideal neste início de experiência. Mas, considerando enorme lapso temporal em que convivemos com a falta de algo assim, podemos dizer que estamos em um caminho crescente e positivo para o XF.

    Abraço!

    AI Pablyto Robert

Obrigada por comentar ;)

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s